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Voltar ao índiceProtocolo clínico

Infecções de pele

Mordedura por animais (cães e gatos)

Avaliar infecção local, risco de tétano e possibilidade de raiva.

Diagnóstico

Critérios clínicos

  • 1Após uma mordedura animal, três preocupações imediatas se impõem: a infecção local, o risco de tétano e a possibilidade de raiva.
  • 2Mordeduras superficiais: não atravessaram a epiderme, nem provocaram sangramento.
  • 3Mordeduras profundas: não se encaixaram na definição de superficiais.
  • 4Mordeduras superficiais não necessitam profilaxia com antimicrobiano.
  • 5Mordeduras profundas sem sinais de infecção: iniciar profilaxia com antimicrobiano.
  • 6Mordeduras com sinais de infecção: iniciar tratamento com antimicrobiano.

Tratamento

Fluxograma de decisão

Definir a conduta pela profundidade da lesão e pela presença de sinais de infecção.

Mordedura profunda?*
SIM

Mordeduras profundas* sem sinais de infecção: iniciar profilaxia com antimicrobiano.

Mordeduras com sinais de infecção: iniciar tratamento com antimicrobiano.

NÃO

Mordeduras superficiais*: NÃO necessitam profilaxia com antimicrobiano.

*Mordeduras superficiais: não atravessaram a epiderme, nem provocaram sangramento. Mordeduras profundas: não se encaixaram na definição de superficiais.

Conduta

Esquemas terapêuticos

Esquemas organizados por primeira linha e alternativas, mantendo dose, intervalo e duração visíveis.

Farmacoterapia

Primeira linha

Amoxicilina-clavulanato

via oral (VO)
Dose
Adulto: 500/125mg
Criança: 50-90mg/kg/dia (componente amoxicilina)
Intervalo
de 8 em 8 horas
Duração
3 dias se profilaxia; 5-7 dias se tratamento
Obs

Crianças: 3 dias se profilaxia; 5 dias se tratamento.

Farmacoterapia

Alternativas

Clindamicina + Ciprofloxacino

via oral (VO)
Dose
Adulto: 300-450mg + 500mg
Criança: Preferir esquema abaixo
Intervalo
de 8 em 8 horas e de 12 em 12 horas
Duração
3 dias se profilaxia; 5-7 dias se tratamento
Obs

Crianças: preferir clindamicina + sulfametoxazol-trimetoprim.

Clindamicina + Sulfametoxazol-trimetoprim

via oral (VO)
Dose
Adulto: 300-450mg + 800-160mg
Criança: 30-40mg/kg/dia + 8-12mg/kg/dia (do trimetoprim)
Intervalo
de 8 em 8 horas e de 12 em 12 horas
Duração
3 dias se profilaxia; 5 dias se tratamento
Obs

Crianças: 3 dias se profilaxia; 5 dias se tratamento.

Apoio clínico

Detalhes complementares

Etiologia

  • Staphylococcus spp.
  • Streptococcus spp.
  • Pasteurella multocida
  • Pasteurella canis
  • Eikenella corrodens
  • Capnocytophaga spp.
  • Bartonella henselae
  • Anaeróbios: Bacteroides spp., Fusobacteria, Porphyromonas spp., Prevotella spp., Cutibacteria e Peptostreptococci.

Contexto

Situações especiais

Infecção local

Alto risco de evoluir com infecção, especialmente em mordeduras por gatos.

Cuidados locais

Realizar imediatamente limpeza vigorosa (com degermante ou sabão), irrigação com soro fisiológico, mesmo que o paciente já tenha realizado higienização prévia. Se houver necessidade de sutura, realizar este procedimento após a infiltração de soro ou imunoglobulina anti-rábica na ferida, quando indicado. Lesões complexas ou em face: encaminhar para avaliação com cirurgião.

Tétano

Pacientes vítimas de mordedura devem ter seu status de proteção contra o tétano avaliado, conforme tabela e observações abaixo.

Observações

Abaixo de sete anos: tríplice (DPT) ou dupla tipo infantil (DT) se o componente pertussis for contra-indicado. A partir dos sete anos: dupla tipo adulto (dT). Imunoglobulina humana antitetânica, na dose de 250 unidades, pela via intramuscular, independentemente de idade ou peso. Utilizar local diferente daquele no qual foi aplicada a vacina.

Raiva

Para todos os tipos de exposição, a primeira medida indicada é lavar com água e sabão. Contato indireto em cão ou gato: não indicado para profilaxia. Exposição leve: vacina quando o animal não puder ser observado por 10 dias ou apresentar sinais sugestivos de raiva. Exposição grave: vacina e soro ou imunoglobulina conforme a espécie e a possibilidade de observação. Morcegos, animais silvestres e mamíferos domésticos de interesse econômico seguem a tabela de decisão do protocolo.

Observações

A primeira avaliação do paciente deve acontecer na Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS), que disponibiliza a medida mais eficaz contra a raiva: a vacina. Quando houver indicação de soro antirrábico, a rede de saúde deve ser consultada para indicar o local de administração.

Material de apoio

Materiais e referências

Acesso rápido a downloads offline e links institucionais/oficiais para apoio complementar durante a consulta.

8 recursos disponívels

Secretaria da Saúde do Ceará

PDF

Guia Antimicrobiano na Prática Clínica

Arquivo-base da Secretaria da Saúde do Ceará para consulta offline em PDF.

Arquivo

guia-antimicrobiano-pratica-clinica-ce.pdf

World Health Organization

PDF

WHO AMR Methodology Sheets

Material complementar da OMS com folhas metodológicas para monitoramento e avaliação em resistência antimicrobiana.

Arquivo

who-amr-methodology-sheets.pdf

ILAS

Site oficial

Instituto Latino-Americano de Sepse

Protocolos, bundles e materiais de implementação para sepse e choque séptico.

BrCAST

Site oficial

Brazilian Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing

Pontos de corte e recomendações nacionais para testes de sensibilidade aos antimicrobianos.

EUCAST

Site oficial

European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing

Breakpoints, tabelas e metodologia de referência para interpretação microbiológica.

CLSI

Site oficial

Clinical and Laboratory Standards Institute

Standards laboratoriais e documentos técnicos aplicados à microbiologia clínica.

CAMO-Net

Site oficial

Collaborative for Antimicrobial Optimisation Network

Rede colaborativa global com especialistas, eventos e materiais voltados ao enfrentamento da resistência antimicrobiana.

ANVISA

Site oficial

Manuais de Microbiologia Clínica

Publicações oficiais da ANVISA para apoio técnico em microbiologia clínica nos serviços de saúde.

Evidência complementar

Artigos sugeridos no PubMed

Selecionados pelo contexto clínico, priorizando periódicos de maior impacto e tipos de publicação com evidência mais forte.